Cesare Pavese sobre a matança de animais (1950)

 

No último romance de Cesare Pavese, A lua e as fogueiras (em italiano: La luna e i falò), encontra-se a seguinte passagem.


Traduzido do italiano.

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[...]

 — Não — disse Nuto —, se eu tivesse ido lá, teriam queimado minha casa.

Na margem do Salto, Nuto havia mantido escondido numa toca um partidário ferido e lhe trazia comida à noite. A mãe dele tinha me contado. Eu acreditava. Era Nuto. Ainda ontem, na rua, ao encontrar dois garotos que atormentavam um lagarto, ele tinha tomado o lagarto deles. Vinte anos passam para todo mundo.

— Se o Sr. Matteo tivesse feito isso com a gente quando a gente ia à margem — eu havia dito a ele —, o que você teria respondido? Quantos ninhos você saqueou naquela época?

— É comportamento de ignorantes — ele havia dito. — Os dois fazíamos errado. Deixa os bichos viverem. Eles já sofrem o suficiente no inverno.

— Não estou dizendo nada. Você tem razão.

— E além disso, começa assim e termina com as pessoas se degolando umas às outras e queimando vilas.

[...]

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Este livro foi publicado na primavera de 1950.

Cesare Pavese (9 de setembro de 1908 – 27 de agosto de 1950) foi um romancista italiano. É considerado um dos escritores italianos mais influentes de sua época.